De um lado temos dois cavalos de alta-escola oriundos das reputadas coudelarias Audi e Mercedes. Do outro, um fogoso puro-sangue italiano da casa Alfa Romeo. A estrela da arena é o novo B180 CDI, mas o A3 1.6 TDI e o Giulietta não desistirão sem dar luta.

Imagine que a sua empresa lhe dá um carro de serviço. O valor terá de rondar os 30 mil euros e, por uma questão de custos, terá de ser turbodiesel. Pessoalmente sonhava com um desportivo, mas a posição recém adquirida na empresa e as crescentes obrigações familiares aconselham antes um pequeno familiar de prestígio. Uma das escolhas óbvias seria o veterano A3 Sportback 1.6 TDI de 105 cv. O Audi tem o “status” que pretende, o preço certo e até as cinco portas que a sua cara-metade exige. Por fim, o recém lançado pacote de equipamento Limited Edition (1515 euros) garante uma melhor relação preço/equipamento ao nível Attraction.

Mas a Mercedes resolveu complicar as contas no segmento. Lançou um novo Classe B que, não perdendo de vista as tão apregoadas aptidões familiares, deu um salto de gigante na dinâmica e no requinte. A versão B180 CDI de 109 cv não está longe em termos de preço, tem uma imagem ainda mais reputada e os 488 litros de mala são o sonho de qualquer família jovem. Já para não falar no facto de o Mercedes não correr o risco de, tão cedo, ceder o seu lugar a um novo modelo.

Baralha e volta a dar
Ok. Então a escolha cinge-se as estas duas propostas? Não necessariamente. E se lhe dissermos que, pelos mesmos valores, poderá ter o tão desejado “desportivo” sem que, para isso, tenha de abdicar das premissas anteriormente enunciadas.

Por pouco mais de 30 mil euros, já consegue comprar um Alfa Romeo Giulietta com o 2.0 JTDm de 140 cv e um desenho bastante mais sexy do que os seus adversários. Melhor ainda, também tem cinco portas, um nome sonante e, curiosamente, nem sequer é mais gastador.

Afinal em que ficamos? Optamos pelo comprovado A3, pelo familiar e inovador Classe B ou pelo fogoso latino Giulietta? Nas próximas linhas, vamos ajudá-lo a decidir qual dos três melhor responderá às suas necessidades.

As linhas exteriores são o primeiro indício do tipo de cliente que cada uma das propostas visa atrair. O Classe B parece um casamento harmonioso entre uma carrinha convencional e um monovolume, com as linhas a privilegiarem a elegância e o espaço para pessoas e bagagens. O Giulietta está no campo oposto. O desenho é mais desportivo, facto realçado pela linha descendente do tejadilho e por detalhes como os puxadores das portas integrados nas molduras dos vidros traseiros.

O A3 fica a meio caminho, apresentando linhas mais dinâmicas do que o Classe B, mas reforçando a veia familiar com as barras no tejadilho ou o formato próximo de uma pequena carrinha. Ainda assim, a capacidade da mala do Audi (370 litros) nem sequer é muito maior do que a oferecida pelo Alfa Romeo (350 litros), embora o acesso seja consideravelmente melhor. Neste ponto, como na habitabilidade, o Mercedes é o vencedor incontestado, com uma bagageira que oferece 488 litros de capacidade e a possibilidade de modular a altura do piso de acordo com as necessidades do momento.

As preocupações familiares são extensíveis ao próprio equipamento de segurança, com o Classe B a destacar-se pela oferta do sistema Pre Safe, do airbag para os joelhos ou do sistema de fixação Isofix. A qualidade geral e a insonorização são mais dois itens onde o Mercedes faz questão de mimar os ocupantes. Aliás, face à geração precedente, estes são dos pontos onde o Classe B mais evoluiu. Não só pela escolha primorosa dos plásticos no interior, como pela reconfortante sensação de solidez que transmite. Até o cuidado desenho interior serve para reforçar a sensação de requinte e bem estar.

O Audi segue de (muito) perto o Mercedes no que à qualidade diz respeito, mas a idade do projecto é mais evidente no desenho interior e até no aspecto soturno da decoração. O Alfa Romeo é, novamente, o “rebelde” do grupo, com inúmeros pormenores que mostram a preocupação dos italianos com a atenção ao detalhe, pedais em alumínio, costuras em vermelho e bancos de formato mais desportivo. A escolha de materiais alinha pela mesma bitola dos seus adversários, mas a montagem apresenta algumas falhas que prejudicam a avaliação final.

O conforto de rolamento também acaba por ser o reflexo do posicionamento mais aguerrido Alfa Romeo. Não que o Giulietta motive críticas dos seus ocupantes, mas, lá está, falta a sensação de solidez e a capacidade de absorção das irregularidades demonstrada pelo Audi (sem suspensão desportiva) e pelo Mercedes. Mas o transalpino não se fica e, tanto no comportamento como nas prestações, dá a volta ao resultado.

Como seria de esperar, dada a superioridade de potência e binário, o Alfa Romeo deixa os seus adversários a ver navios no que respeita a acelerações a recuperações. O que surpreende é a proximidade do B180 CDI nas acelerações, especialmente tendo em atenção que o Classe B é o mais pesado dos três. Há, obviamente, mérito no 1.8 CDI de 109 cv do B, mas o Giulietta é prejudicado pela impossibilidade de desligar completamente o controlo de tracção e estabilidade nos arranques.

Já o Audi é prejudicado na potência e no escalonamento da caixa, que além de contar com apenas cinco relações, é muito longa, provocando um enorme fosso entre a 3ª, 4ª e 5ª. Curiosamente, o Audi nem sequer tira grande partido disso nos consumos, já que a diferença para o mais gastador B180 CDI não passa dos 0,4 l/100 Km. Mais estranho ainda, em estrada, o Mercedes é menos gastador que o A3 (e até que o Alfa Romeo), embora perca essa vantagem em cidade. Por falar em consumos urbanos, qualquer um dos três conta com um sistema start/stop, mas o do Giulietta é o mais renitente a entrar em funcionamento.

Igualmente importante para um cliente de um ALD ou Renting (onde muitos contratos são feitos por três anos ou 100 mil Km) é que o Alfa Romeo viu os intervalos de manutenção alargados para 35 mil Km. Ou seja: ao fim de três anos o Mercedes e o Audi já foram três vezes à revisão, enquanto o Alfa Romeo só foi duas. Já no preço, o Mercedes destaca-se como o mais caro dos três. E nem precisa de recorrer à obrigatória lista de opcionais, já que, mesmo na versão base, o B180 CDI é cerca de 2 mil euros mais caro.

Em jeito de conclusão, e resumidamente, escolha o B180 CDI se valoriza o espaço, a qualidade e o status da “estrela”. O Alfa Romeo é a opção passional, vivendo do estilo sui generis e da potência extra. O A3 é a opção racional, com soluções (muito) comprovadas e o preço mais atractivo dos três. Por mim ficava com o Giulietta, mas eu não tenho obrigações familiares...

 


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